A centralidade de Cristo

cross-of-christ-religious-stock-image.jpgCreio que um dos mais belos hinos da história do cristianismo foi o hino utilizado pelo apóstolo Paulo em sua carta aos Colossenses 1.15-20. Parece que as forças cósmicas estavam adquirindo no meio dos colossenses importância semelhante à de Jesus. Algumas heresias estavam entrando na igreja de Colosso fazendo com que eles se afastassem da supremacia e da suficiência de Cristo, negando a humanidade de Cristo, cultuando anjos entre outras vãs filosofias, como o próprio Paulo mesmo diz. Mas o que este hino nos ensina à respeito da centralidade de Cristo?

Parece que outras coisas ou outras pessoas estavam tomando a centralidade de Cristo no meio da igreja de Colosso. Isso é algo muito comum entre os que consideram necessária a inclusão de outras divindades que parecem ter igual importância: Buda, Moisés, Sócrates, Maomé, etc… Jesus até é considerado importante, mas não é o personagem principal; seu prestígio é considerável, mas não é preeminente. Os cristãos colossenses haviam tirado Jesus do centro e adicionado outras coisas e outras divindades à sua fé. Perigo!

E para corrigir essa heresia, Paulo faz uso de um dos hinos mais bem escritos e apaixonantes sobre a centralidade de Jesus Cristo:

Este (Cristo) é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, que nos céus. (Colossenses 1.15-20).

Frequentemente, em nossa caminhada cristã, corremos o risco de tirar Jesus do centro para colocar outras coisas no lugar, ou o que é pior, colocamos algumas coisas ou pessoas no mesmo patamar de importância. Ou então começamos a achar que é necessário seguir uma lista de regras e rituais para agradar a Deus e conseguir sua aceitação. Isso tudo são consideradas vãs filosofias que começam a entrar sorrateiramente dentro da igreja, e quando menos esperamos, perdemos a noção da suficiência de Cristo, e vivemos como se Cristo, por si só, não bastasse. Estamos sempre em busca de algo mais. Mais rituais, mais leis, mais cerimônias, mais programações, mais entretenimento, mais misticismo, mais milagres, mais sinais, mais, mais e mais…

Diante disso, o apóstolo Paulo nos convida a voltar nosso coração e nossa mente para a simplicidade do evangelho, a olhar para Cristo como o centro de todas as coisas e não como apenas mais um dentre tantos. A centralidade de Cristo é o que precisamos buscar, e é exatamente isso que Paulo quer ensinar aos colossenses ao fazer uso deste hino que acabamos de citar. Paulo está dizendo: Parem de inventar moda e olhem para Cristo! É necessário resgatar a centralidade de cristo em nossas igrejas e nossos cultos.

Mas o que queremos dizer com a “centralidade de Cristo”? Baseado no hino de Colossenses 1:15-20, eis alguns ensinamentos:

1. Cristo é a imagem do Deus invisível e o primogênito de toda a criação, ou seja, Cristo estava no princípio de tudo (Gênesis 1.1). Quando Deus criou céus e terra através de sua palavra (ex.: “E disse Deus: Haja luz”), Jesus era a palavra de Deus que participava ativamente de toda a criação. Tudo foi criado por ele, por meio dele e para ele, e sem ele, nada do que foi feito se fez.

2. Cristo é o cabeça da Igreja, ou seja, além de ser o primogênito de toda a criação, Cristo agora é dono da Igreja, o cabeça que governa, direciona, mantém e sustenta pelo seu poder. Assim como os membros não se mexem sem a  cabeça, assim também a igreja não se mantém sem aquele que é o seu cabeça. Fora de Cristo a igreja perde o sentido, perde a direção, a essência e o propósito. Quando a igreja perde a visão de Cristo e tenta caminhar com as próprias pernas, tudo vai por água abaixo.

3. Cristo é o primogênito dentre os mortos, ou seja, ele é o único que morreu e ressuscitou e vive eternamente e através de sua morte, do seu sangue derramado na cruz, ele nos proporcionou a reconciliação com Deus, pois até então o relacionamento do homem com Deus estava quebrado por causa do pecado (Gênesis 3). Cristo é o centro pois ele é aquela reta que liga dois pontos distantes (nós e Deus). Cristo é o agente de reconciliação.

4. Em Cristo reside toda a plenitude. Ele é o doador da vida plena e abundante, ou seja, toda a nossa satisfação só pode ser encontrada Nele. Cristo é o verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Cristo está presente e ativo tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, ou seja, de Gênesis a Apocalipse ele é o centro da história. E ele deve ser o centro da minha e da sua história também, pois ele é o Deus Emanuel (que significa “Deus conosco”) e ele é aquele que em Mateus 28.20 prometeu: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação do século.”

Cristo é o centro pois ele existe antes de todas as coisas e participou ativamente do processo criacional de Deus. Cristo é o centro pois ele é o cabeça da igreja, e a igreja só tem sentido quando está ligada ao cabeça. Cristo é o centro pois através do seu sangue, de sua morte na cruz, ele reconciliou consigo todas as coisas.

Ele é maior do que os anjos que os colossenses começaram a cultuar, ele é maior do as regras e ritos que eles começaram a seguir. É por isso que Cristo não pode ficar em pé de igualdade com mais ninguém, e é extremamente danoso pensar em adicionar coisas ao evangelho de Jesus Cristo. Cristo é suficiente e quando a igreja entende isso, ela começa a caminhar na simplicidade do evangelho, no poder do Espírito Santo.

Como disse o pastor Mark Driscoll: “Jesus não deve pertencer ao topo de sua lista de prioridades como uma tarefa a ser cumprida, mas ele deve ser o centro de sua vida inteira, conectado e reinando sobre todas as coisas.” Falar na centralidade de Cristo é exatamente isso!

Thiago Machado Silva

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