Ezequiel e o ministério pastoral

dphx_pastoralCare_agingHandsA Bíblia, no livro de Ezequiel, apresenta algumas lições preciosas que podem ser aplicadas ao nosso chamado para o ministério pastoral. O que o chamado de Ezequiel pode nos ensinar sobre o chamado pastoral?

Ezequiel foi um profeta chamado por Deus em um momento muito conturbado para o povo de Israel. O contexto em que ele viveu está relatado no livro de 2 Crônicas 36.5-7: “Tinha Jeoaquim a idade de vinte e cinco anos quando começou a reinar e reinou onze anos em Jerusalém. Fez ele o que era mau perante o Senhor, seu Deus. Subiu, pois, contra ele Nabucodonosor, rei da Babilônia, e o amarrou com duas cadeias de bronze, para o levar à Babilônia. Também alguns dos utensílios da Casa do Senhor levou Nabucodonosor para a Babilônia, onde os pôs no seu templo.”

Foi um período de exílio, onde o rei estava longe de Deus, cada um vivia ao seu bel prazer e se distanciavam cada vez mais de Deus! O período em que o povo de Deus ficou exilado na Babilônia foi um período de juízo de Deus, onde Deus mostrou seu poder e sua justiça, derramando sua ira e juízo sobre o seu povo. As coisas estavam indo de mau a pior. O povo não queria saber de Deus. No meio desse contexto, Deus levanta Ezequiel como profeta, para conduzir o povo de acordo com a vontade de Deus. Deus estava trazendo o povo de volta, e decidiu fazer isso por meio de um profeta.

No livro de Ezequiel, principalmente nos capítulos 2 e 3, aprendemos algumas lições muito importante sobre liderança e chamado pastoral. O que Deus ensina para Ezequiel pode muito bem servir para aqueles que exercem o papel de um líder na igreja e para aqueles que Deus escolheu para ser profeta do Senhor em nossos dias, pastores que vão conduzir o rebanho de Deus de acordo com a vontade do próprio Deus! 3 lições que nós tiramos do livro de Ezequiel:

1. O pastor age com coragem:

“Tu, ó filho do homem, não os temas, nem temas as suas palavras, ainda que haja sarças e espinhos para contigo, e tu habites com escorpiões; não temas as suas palavras, nem te assustes com o rosto deles, porque são casa rebelde.” (Ez 2.6).

Hoje em dia vemos muitos pastores, que se dizem profetas, mas que não tem coragem para confrontar o pecado do povo, acabam se tornando conivente com os erros do povo. Mas o verdadeiro profeta de Deus precisa de coragem para confrontar os pecados da igreja, coragem para não ser conivente com ideias e opiniões contrárias à vontade de Deus, mesmo que a maioria o pressione, e coragem para empurrar a igreja para o desconforto. Ezequiel foi chamado para profetizar para o povo no exílio, e a sua missão não era nada confortável nem para ele e nem para o povo, pois o povo não queria ser confrontado e muito menos sair de sua zona de conforto. A tarefa do líder, daquele que foi chamado pelo Senhor para ser profeta, é apontar para o que está errado e conduzir o rebanho de volta para Deus. Essa tarefa exige coragem.

2. O pastor encarna em seu contexto:

“Então, fui a Tel-Abibe, aos do exílio, que habitavam junto ao rio Quebar, e passei a morar onde eles habitavam; e, por sete dias, assentei-me ali, atônito, no meio dele.” (Ez 3.15).
Ezequiel, ao ser chamado por Deus para a missão de profetizar ao povo que estava exilado na Babilônia, ele decide ir habitar com o povo, para conhecê-lo, conhecer o lugar, o contexto, a cultura, e por sete dias ele ficou ali, apenas observando. Isso nos ensina que o verdadeiro líder deve encarnar em sua cultura e no contexto em que está inserido, não para ser moldado pela cultura, mas para conhecer o lugar onde está pisando, e então cumprir sua missão com mais propriedade e autoridade.
Talvez o maior exemplo de alguém que fez isso com excelência é o próprio Jesus Cristo. Ele se encarnou, desceu para habitar entre nós, viveu e aprendeu a cultura judaica, conheceu as pessoas a sua volta, seus problemas e necessidades, e cada sermão, cada ensinamento, cada conversa que ele tinha com as pessoas, era um tiro certeiro. Precisamos de profetas, líderes, pastores que decidam encarnar e conhecer de fato o contexto onde estão inseridos, que conheçam bem a realidade do lugar onde estão, e então cumpram sua missão com autoridade. O ministério pastoral exige isso.
Mas temos que ter cuidado para não cair no grande perigo de sermos moldados pelos padrões culturais da sociedade, a ponto de sermos transformados por eles. Pelo contrário, devemos nos inserir na sociedade para que ela seja transformada pelo poder do evangelho. É aqui que entra a terceira lição que Ezequiel nos ensina, e para mim, é a mais importante:

3. O pastor fala da parte de Deus:

” Mas tu lhes dirás as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são rebeldes.” (Ez 2.7)
” Disse-me ainda: Filho do homem, vai, entra na casa de Israel e dize-lhes as minhas palavras.” (Ez 3.4)
” Ainda me disse mais: Filho do homem, mete no coração todas as minhas palavras que te hei de falar e ouve-as com os teus ouvidos.” (Ez 3.10)
” Filho do homem, eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás da minha parte.” (Ez 3.17)
” Mas, quando eu falar contigo, darei que fale da tua boca, e lhes dirás…” (Ez 3.27)
Aqui está a principal tarefa daqueles que foram chamados por Deus para o ministério pastoral: falar as palavras de Deus. Existe uma grande tentação durante nossos encontros, em nossos sermões, ensinamentos e aconselhamentos, de querermos deixar a Palavra de Deus de lado para comunicar nossas ideias, filosofias e outras invenções. Muitas vezes achamos que nós temos a solução para a igreja e para a sociedade, e começamos a espalhar as nossas palavras e não mais as palavras de Deus. Mas Deus é extremamente enfático quanto a isso. Em 5 versículos e em apenas 2 capítulos Deus deixa bem claro para Ezequiel que sua mensagem era uma mensagem do próprio Deus para o povo. Deus iria usar apenas a boca de Ezequiel para transmiti-la, mas todo o seu conteúdo viria do próprio Deus. Precisamos ter isso muito claro em nosso coração, pois é somente através da Palavra de Deus que podemos transformar a cultura em que vivemos. Não é a cultura que deve moldar nosso ministério, mas o evangelho, a Palavra de Deus é que vai transformar a cultura em que estamos inseridos. Para que isso aconteça, precisamos de profetas, pastores e líderes que tenham uma vida de intimidade com o Pai e que não abandonem por nada a sua Palavra e os seus mandamentos.

Concluindo:

Vivemos em dias difíceis, onde o povo tem se distanciado de Deus e até mesmo os cristãos se enclausuraram dentro das igrejas e não desejam sair da zona de conforto. Precisamos de profetas que tenham coragem para conduzir o povo de volta para Deus. Precisamos de profetas que encarnem no contexto e na cultura em que foram inseridos, que conheçam seus problemas, necessidades e realidades, para que suas palavras tenham sentido e significado para aquele povo. E por último, precisamos de profetas que conheçam e proclamem apenas e somente a Palavra e a vontade de Deus. Precisamos de profetas que tenham um relacionamento de intimidade com Deus e que estejam dispostos a abrir mão de suas ideias, filosofias e teorias para viver e espalhar o evangelho de Jesus Cristo.
Thiago Machado Silva

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