O diário de Simonton

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SIMONTON, Ashbel Green. O Diário de Simonton: 1852 – 1866. Trad. Daisy Ribeiro de Moraes Barros. São Paulo: Cultura Cristã, 2002. Resenha feita no curso de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

No século 19, era muito comum, no hemisfério norte, escrever-se em diários, e esses diários são extremamente importantes na reconstrução histórica. É o caso do Diário de Simonton, publicado pela Editora Cultura Cristã no ano de 2002, que cobre um período de 14 anos da vida de seu autor (1852-1866). Aos 19 anos de idade, Simonton começou a escrever em seu diário, e fez anotações nele pela última vez quase um ano antes de sua morte.

Ashbel Green Simonton nasceu no dia 20 de Janeiro de 1833 em West Hanover, no sul da Pensilvânia. Nasceu em uma família de presbiterianos, e seu nome foi dado em homenagem ao líder presbiteriano e presidente do Colégio de Nova Jersey, a futura Universidade de Princeton. Formou-se nesta Universidade em 1852, e, com 19 anos de idade, foi para o sul dos Estados Unidos em busca de experiência na área da educação. Foi então que ele começou a escrever seu diário.

Em Março de 1855, após um período de grande batalha espiritual, foi alcançado por um avivamento religioso, fez sua profissão de fé na Igreja Presbiteriana Inglesa. Em Junho do mesmo ano, ingressou no Seminário de Princeton para dar prosseguimento ao ministério sagrado. O período de sua conversão e profissão de fé foi um dos momentos marcantes na vida de Simonton, período em que ele assume voluntariamente um compromisso com Deus e faz uma aliança, que é registrada em seu diário no dia 6 de Maio de 1855, e dentre outras coisas ele afirma: “Deliberei no temor a Deus cumprir todos os deveres expressos em sua Santa Palavra, e estudar essa Palavra em oração sincera para que seja guiado ao bom entendimento dela…”. E a partir deste momento, ele começa a estudar para entrar no Seminário de Princeton, a fim de se preparar para o ministério sagrado.

Ainda no primeiro semestre no Seminário, depois de ouvir um sermão de Charles Hodge, Simonton passou a considerar grandemente a obra missionária transcultural, e em Novembro de 1858, candidatou-se perante a Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. Escolheu o Brasil para ser seu campo missionário. Em 1859 foi ordenado pelo Presbitério de Carlisle e embarcou para o Brasil em 18 de Junho do mesmo ano. Chegou ao Rio de Janeiro no dia 12 de Agosto.

Ao chegar no Brasil, fez contato com o rev. Roberto Kalley, que havia chegado quatro anos antes, e no dia 22 de Abril de 1860, Simonton dirigiu seu primeiro culto em português. Três meses depois, chegaram ao Brasil, rev. Blackford e sua esposa Elizabeth, irmã de Simonton. No dia 12 de Janeiro de 1862, ele organizou a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, juntamente com o recém-chegado Schneider.

Casou-se em 19 de Março de 1863, porém, em 1864 perdeu sua esposa Helen, devido a complicações na hora do parto. A menina recém-nascida ganhou o nome da mãe. Simonton passou por um período muito difícil, mas sempre teve a companhia e o apoio de seu colega missionário George Chamberlain. No final de 1864, José Manoel da Conceição foi recebido como membro da Igreja Presbiteriana, e em 5 de Novembro, houve o lançamento da Imprensa Evangélica, primeiro periódico protestante do Brasil.

No ano seguinte, duas novas igrejas presbiterianas nasceram no Brasil, uma na capital de São Paulo e outra na pequena cidade de Brotas. Agora que havia três igrejas presbiterianas, Simonton juntamente com Blackford e Schneider organizaram o Presbitério do Rio de Janeiro. Essa organização ocorreu em São Paulo no dia 16 de Dezembro de 1865. No dia seguinte, José Manoel da Conceição foi ordenado, dando prosseguimento ao avanço do presbiterianismo no Brasil. Simonton organizou um seminário teológico, instituição que durou apenas três anos, mas que formou quatro pastores brasileiros que foram grandiosos em seus ministérios: Antônio Bandeira Trajano, Miguel Gonçalves Torres, Modesto Perestrello Barros de Carvalhosa e Antonio Pedro de Cerqueira Leite.

Depois de ficar com a saúde muito debilitada, no dia 9 de Dezembro de 1867 Simontou faleceu, sendo sepultado no Cemitério dos Protestantes, no bairro da Consolação, na cidade de São Paulo. Um ano antes de seu falecimento, ele registrou suas últimas palavras em seu diário: “Quem me dera um batismo de fogo que consumisse minhas escórias; quem me dera um coração totalmente de Cristo.” (p. 11). Simonton faleceu, mas deixou um legado enorme e o presbiterianismo continuou avançando no Brasil, fruto do ministério missionário de Ashbel Green Simonton.

Durante 14 anos de sua vida, ele registrou importantes acontecimentos e fatos de sua história em seu diário, e ele pode ser dividido em três partes. A primeira parte contêm a viagem e o trabalho no sul dos Estado Unidos (1852-1854). A segunda parte é um registro do seu período de estudo de direito, sua conversão e vocação ministerial ao ingressar no Seminário de Princeton (1854-1859). A terceira e última parte do diário de Simonton refere-se ao trabalho missionário no Brasil (1859-1866), culminando com a organização da Igreja do Rio de Janeiro.

Simonton foi um homem que se dedicou imensamente à obra missionária, e ele tinha plena consciência de sua responsabilidade como cristão. Não foi à toa que em seu discurso de organização do Presbitério do Rio de Janeiro, ele afirmou que: “É assim que o Evangelho se propaga. Cada crente deve comunicar ao vizinho ou próximo aquilo que recebe até que toda a sociedade seja transformada.” (p. 182), e ele termina seu discurso dizendo: “Vigiemos, oremos e trabalhemos, e Deus velará por nós e por sua igreja.” (p. 184).

Piedade e trabalho. Devoção e ação. Assim era a vida deste missionário enviado ao Brasil para despertar o amor por missões e propagar o evangelho de Jesus Cristo. Movido por amor a Cristo e sua causa, Simonton foi o pioneiro do presbiterianismo em terras brasileiras, e deixou um legado que dura até os dias de hoje, e a história da Igreja Presbiteriana do Brasil deve muito à este americano que deixou as terras norte-americanas para apresentar Jesus e o evangelho a nós, brasileiros.

Thiago Machado Silva

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