Sobre a ressurreição de Cristo

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Introdução

Na Páscoa celebramos a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Cristo morreu em uma sexta-feira (sexta-feira da Paixão), crucificado em uma cruz, carregando todo o peso de nossos pecados. Ele sofreu uma morte sacrificial e substitutiva – Cristo se sacrificou em nosso lugar, como nosso substituto, por causa dos nossos pecados, para que nós não precisássemos sofrer. Cristo, através de sua morte na cruz, satisfez toda a justiça de Deus, e por causa disso, hoje nós somos considerados justos e perdoados diante de Deus Pai.

Porém, a morte não foi o capítulo final da história de Jesus. Ao terceiro dia, num domingo de manhã, Ele venceu o pecado, o mundo e o diabo, ressurgindo dos mortos. A ressurreição é o que celebramos na Páscoa. Jesus morreu, mas não permaneceu morto, hoje Ele está vivo e glorificado, assentado ao lado de Deus Pai. O grande problema é que muitos negam a realidade da ressurreição, muitos não acreditam na realidade sobrenatural da ressurreição de Cristo dentre os mortos. E a pergunta que surge é, se Cristo não ressuscitou, qual é o propósito da fé cristã? Se a ressurreição de Cristo não é uma realidade, qual a razão do cristianismo? O apóstolo Paulo teve que lidar com esse problema, e ele fala sobre isso em 1 Coríntios 15:

Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras… Ora, se está sendo pregado que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como alguns de vocês estão dizendo que não existe ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, então nem mesmo Cristo ressuscitou; e, se Cristo não ressuscitou, é inútil a nossa pregação, como também é inútil a fé que vocês têm. Mais que isso, seremos considerados falsas testemunhas de Deus, pois contra ele testemunhamos que ressuscitou a Cristo dentre os mortos. Mas se de fato os mortos não ressuscitam, ele também não ressuscitou a Cristo. Pois, se os mortos não ressuscitam, nem mesmo Cristo ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, inútil é a fé que vocês têm, e ainda estão em seus pecados… Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, dentre todos os homens somos os mais dignos de compaixão. Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo as primícias dentre aqueles que dormiram. Visto que a morte veio por meio de um só homem, também a ressurreição dos mortos veio por meio de um só homem. (1 Cor. 3-4; 12-17; 19-21)

Paulo afirma que, se não cremos na ressurreição de Cristo e a nossa esperança se resume simplesmente a esta vida aqui e agora, somos os mais infelizes e dignos de compaixão. Mas a grande realidade que a Bíblia nos mostra é que Cristo ressuscitou dentre os mortos, e por meio da ressurreição de Cristo, todos os que pertencem a Ele também são vivificados. A ressurreição de Cristo, em primeiro lugar, nos vivifica espiritualmente, pois somos levados da morte para a vida eterna, da perdição para a salvação. E em segundo lugar, nos vivifica corporalmente, na segunda vinda de Cristo, quando todos os eleitos de Deus serão ressuscitados e glorificados, ressurgirão com um corpo completamente restaurado, à semelhança de Jesus.

A importância da ressurreição

Assim sendo, precisamos compreender que a ressurreição não é simplesmente uma doutrina a ser estudada. A ressurreição não é simplesmente algo teórico e sem sentido que não afeta a nossa fé e a nossa vida. Muito pelo contrário, ao ler e estudar Herman Bavinck (teólogo calvinista holandês do séc. 20), fui lembrado de como a ressurreição é uma doutrina teológica extremamente importante e prática para a nossa fé cristã. As Escrituras ensinam , primeiro, que terra e céu, espírito e matéria, todas as coisas foram criadas por Deus; segundo, que o corpo faz parte da essência do ser humano e reflete a imagem de Deus; terceiro, que a morte é consequência e punição para o pecado. Portanto, de acordo com as Escrituras, todas as coisas dependem da ressurreição de Cristo. Se Cristo não ressuscitou dos mortos, então nem a morte e nem o pecado foram vencidos, e portanto, Satanás, e não Cristo, obteve a vitória, pois a morte colocou um ponto final na vida de Jesus.

De acordo com Bavinck, a ressurreição é rica e relevante para a nossa vida cristã, e ele nos dá 8 razões para isso, no volume 3 da sua Dogmática Reformada:

(1) A ressurreição é a prova de que Jesus é o Messias prometido, é a coroação do Servo como Cristo e Senhor, o Juiz e o Príncipe da Paz (Atos 2:36; 3:13-15; 5:31; 10:42);

(2) A ressurreição de Cristo é o selo da sua eterna filiação divina. Cristo é o Filho eterno de Deus (Atos 13:33; Romanos 1:3);

(3) A ressurreição de Cristo é o endosso divino de sua obra como Mediador, é a declaração do poder e do valor de sua morte, é o “Amém” do Pai diante do “Está consumado” do Filho (Atos 2:23-24; 4:11; 5:31; Romanos 6:4,10);

(4) A ressurreição de Cristo é a inauguração de sua exaltação, realizada através de seu sofrimento (Lucas 24:26; Atos 2:33; Romanos 6:4; Filipenses 2:9);

(5) A ressurreição de Cristo é a garantia de nosso perdão e justificação (Atos 5:31; Romanos 4:25);

(6) A ressurreição de Cristo é a fonte de inúmeras bênçãos espirituais: o dom do Espírito (Atos 2:33), o arrependimento (Atos 5:31), vida eterna (Romanos 6:4), salvação em sua plenitude (Atos 4:12);

(7) A ressurreição de Cristo é a base e a garantia de nossa gloriosa ressurreição (Atos 4:2; Romanos 8:11; 1 Coríntios 6:14);

(8) A ressurreição de Cristo é o fundamento do cristianismo e da fé cristã (1 Coríntios 15).

Conclusão

Bavinck demonstra em oito razões que, não apenas a nossa salvação pessoal, mas a redenção de todo o cosmos estão ligadas à ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. Ou seja, a fé cristã se levanta ou desaba com a ressurreição de Cristo (1 Coríntios 15:16-19).

Portanto, neste período de Páscoa, pare por um momento e medite nessas oito razões, e foque a sua mente e o seu coração na realidade da ressurreição de Cristo e em como essa realidade afeta a sua vida e a sua fé. Que a realidade da ressurreição o motive a louvar a Deus por tudo o que Ele tem feito, e mais ainda, por quem Ele é: o Senhor ressurreto de toda a criação!

Thiago Machado Silva

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