Sobre os sacramentos

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Introdução

É importante que todo cristão, que deseja se engajar na caminhada cristã e fazer parte da igreja de Cristo, considere a sua participação na igreja, servindo e amando uns aos outros, e principalmente, que considere a sua participação nos dois sacramentos instituídos por Cristo: Batismo e Santa Ceia. É fundamental para o nosso crescimento e amadurecimento, que obedeçamos a Cristo fazendo aquilo que Ele nos ordenou, e os sacramentos são ordenanças de Cristo para a sua igreja.

É verdade que nem o Batismo e nem a Santa Ceia têm poder para salvar alguém, pois quem salva é somente Cristo, através do seu sacrifício na cruz. E este dois sacramentos também não transmitem algo diferente ou à parte daqueles benefícios que o Senhor nos oferece através da Sua Palavra. É por isso que os sacramentos acontecem juntamente com, e baseados nas Escrituras. Porém, esses sacramentos são chamados “meios de graça”, ou seja, são sinais visíveis de uma graça invisível, e servem para nos ensinar e animar, fortalecer a nossa fé, nos santificar e aprofundar a nossa união e nosso relacionamento com Cristo e sua Igreja.

A Confissão Belga, em seu Artigo 33, traz a seguinte declaração à respeito dos sacramentos:

Cremos que o nosso Deus gracioso, atento à nossa insensibilidade e fraqueza, ordenou os sacramentos para selar em nós as Suas promessas, para servirem como penhor da Sua boa vontade e graça para conosco, e para alimentarem e sustentarem a nossa fé. Ele os acrescentou à Palavra do evangelho para apresentarem melhor diante dos nossos sentidos externos aquilo que Ele nos declara em Sua Palavra e o que faz interiormente em nossos corações; confirmando em nós, assim, a salvação que nos concede. Os sacramentos são os sinais e os selos visíveis de algo interior e invisível, por meio dos quais Deus opera em nós pelo poder do Espírito Santo. Por isso, esses sinais não são vãos nem vazios para nos enganar, porque Jesus Cristo é a verdade deles; sem Cristo, não seriam nada.

Os sacramentos no AT e NT

Ambos os sacramentos estão enraizados no Antigo Testamento. O Batismo tem sua raiz na circuncisão do Antigo Testamento. Toda criança do sexo masculino, ao oitavo dia de vida, deveria ser submetido ao ato da circuncisão[1] (Gênesis 17:12; Atos 7:8). Porém, a partir do momento em que Jesus veio ao mundo, a circuncisão já não é mais necessária, pois Ele instituiu uma outra cerimônia, não somente para os meninos de oito dias, mas para todo aquele que crê [cristãos adultos] e para seus filhos que também fazem parte da mesma aliança com Cristo [crianças] (Colossense 2:11-15). O Artigo 34 da Confissão Belga afirma:

Cremos e confessamos que Jesus Cristo, que é o fim da lei (Romanos 10.4), ao derramar o Seu sangue pôs fim a todo e qualquer outro derramamento de sangue que se poderia ou deveria fazer como expiação ou satisfação pelos pecados. Ele aboliu a circuncisão, que envolvia sangue, e instituiu em lugar dela o sacramento do batismo. Pelo batismo somos recebidos na igreja de Deus e separados de todos as outras pessoas e falsas religiões, para estarmos totalmente comprometidos com Ele,2 de quem carregamos a marca e o emblema, que nos serve como testemunho de que Ele será eternamente o nosso Deus e Pai gracioso.

Já a Santa Ceia possui sua raiz na Páscoa judaica, a primeira festa do calendário judaico, celebrada todo ano (Levítico 23:5). Era a ocasião em cada família israelita comemorava a libertação do povo da escravidão no Egito com o sacrifício de um cordeiro sem mancha e sem defeito. No Antigo Testamento, um cordeiro sem mancha era separado do resto do rebanho para ser sacrificado na Páscoa (Êxodo 12:3-6). No Novo Testamento temos Cristo com o Cordeiro Pascal, o cordeiro perfeito que foi sacrificado para a libertação e salvação de todo aquele que crê (Hebreus 10:4; João 1:29). Assim como a Páscoa judaica servia para lembrar o povo da libertação da escravidão do Egito, assim a Ceia do Senhor serve para lembrar a todo cristão que o Cordeiro perfeito de Deus, Jesus Cristo, foi morto e ressuscitou para a nossa salvação e libertação do pecado, da morte e do diabo (1 Coríntios 5:7; 1 Pedro 1:19). De acordo com a Confissão Belga, Artigo 35, “Cremos e confessamos que o nosso Salvador Jesus Cristo instituiu o sacramento da Santa Ceia para nutrir e sustentar aos que Ele já regenerou e incorporou em Sua família, que é a Sua igreja.”

Considerações finais

Pelo Batismo entendemos que somos mortos e sepultados com Cristo, mas ressuscitados juntamente com Ele para uma nova vida (Romanos 6:3-4). O Batismo representa a inserção do cristão no Corpo de Cristo. Através deste sacramento, estamos dizendo que agora pertencemos ao Senhor e fazemos parte da Igreja de Cristo. Ele é um meio de graça de incorporação do crente em um novo relacionamento com Cristo e com a Igreja. Ou seja, o Batismo representa a nossa entrada no pacto e reino de Deus.

Pela Ceia do Senhor, nós participamos da mesa de Cristo através do pão e do vinho, que simbolizam o seu corpo que foi esmagado e o seu sangue que foi derramado na cruz. Na Santa Ceia somos nutridos pelo próprio Cristo que se faz presente espiritualmente, nos fortalecendo e santificando. A Ceia é um meio de graça de amadurecimento do nosso relacionamento e da nossa comunhão com Cristo e com a sua Igreja. Ou seja, a Ceia representa a nossa vida no pacto e no reino de Deus (1 Coríntios 11:23-26).

Portanto, se você deseja caminhar com Cristo e ser um discípulo Dele, considere esses dois sacramentos em sua caminhada cristã. Não desperdice esses momentos!

Thiago Machado Silva

___

[1] Circuncisão era a cerimônia onde era cortada a pele que cobre a cabeça do órgão genital masculino, também chamada de prepúcio. Algo bem parecido com a cirurgia de fimose realizada em nossos tempos. Seu significado era bem mais profundo do que simplesmente um corte visível feito na carne. A circuncisão mostrava que aquela criança fazia parte da aliança de Deus feita com o povo de Israel.

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