Somos livres para quê?

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Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. (2 Coríntios 3.17). O que isto significa?

Muitos lêem e citam esse versículo, mas geralmente fora de contexto, e então fazem afirmações também fora de contexto. Muitos, em sua maioria líderes de louvor,  usam esse versículo para defender a ideia de que o cristão é livre para ser extravagante, para cantar, gritar, pular, dançar, virar piruetas, e tudo isso em nome da “liberdade” que temos na presença de Deus. Mas uma pergunta deve ser feita: Quem no mundo não é livre para fazer essas coisas? Qualquer pessoa no mundo pode ser extravagante, pode cantar, gritar, pular e fazer todas essas coisas. Essas coisas não são exclusividades dos cristãos “livres”. Qualquer pessoa tem esse tipo de liberdade. Creio que não é bem isso que o apóstolo Paulo quis ensinar, e não foi bem para isso que Cristo nos libertou.

Para entendermos melhor o ensino de Paulo, devemos olhar para todo o contexto para ver sobre o quê ele está ensinando. A partir do capítulo 3 da segunda carta aos Coríntios, Paulo está falando sobre o ministério da nova aliança, em comparação com a antiga aliança escrita nas tábuas de pedra, dadas à Moisés. “E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, como não será de maior glória o ministério do Espírito! […] Porque, se o que se desvanecia teve sua glória, muito mais glória tem o que é permanente.” (2 Coríntios 3.7-8, 10).

Depois de afirmar isso, Paulo vai dizer que existe uma diferença muito grande entre aqueles da antiga aliança com o seu ministério que faz parte da nova aliança. Ele afirma que eles não são como Moisés, que punha véu sobre a face, para que os filhos de Israel não olhassem diretamente para ele, mesmo depois daquela luz que resplandecia em Moisés ter se desvanecido. Os sentidos daquelas pessoas se embotaram de tal maneira, ficaram duros, insensíveis e sem compreensão do que estava se passando ali, que Paulo diz que até os dias de hoje, quando o povo lê os escritos de Moisés, o véu é colocado sobre o coração deles. (2Co 3.13-15). Eles não entendem, não enxergam, não compreendem.

Mas, não entendem o quê? Não enxergam o quê? Não compreendem o quê? O quê o véu que está sobre o coração desse povo está os impedindo de enxergar? Paulo responde no versículo 16 e 18: “Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado. […] E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” Quando alguém se converte, o Espírito de Deus remove o véu que está sobre essa pessoa, e então ela contempla a glória do Senhor, e é transformada por essa glória, na própria imagem desta glória. E quem é a glória do Senhor? O próprio Jesus Cristo.

É de Cristo que Paulo está falando. Aqueles que lêem Moisés com o véu sobre os seus corações não conseguem enxergar a Cristo nos escritos de Moisés. Lêem o Antigo Testamento e não compreendem que é sobre Cristo que ele está falando, é para Cristo que ele está apontando. E quando o Espírito remove esse véu, Cristo nos é revelado, e somos transformados por Cristo à sua imagem e semelhança.

E é exatamente dessa liberdade que Paulo está ensinando aos seus leitores, a liberdade que o Espírito concede, desvendando os nossos olhos, retirando as escamas, rasgando o véu do nosso coração, para que possamos enxergar a Cristo em toda a Escritura, e enxergando a Cristo, sejamos transformados de glória em glória, à imagem do próprio Cristo. Essa é a liberdade que temos no Espírito, a liberdade que o mundo não tem, que os pagãos não podem desfrutar, que os não-crentes não conhecem, mas somente os filhos de Deus, somente aqueles que foram comprados pelo sangue de Cristo e libertos pelo próprio Espírito de Deus. Essa liberdade, somente os cristãos, aqueles que foram regenerados pelo Espírito Santo, possuem.

Onde o Espírito do Senhor está, aí há liberdade, aí o véu é retirado, as escamas caem, e podemos contemplar, como por espelho, a glória do Senhor na face de Cristo.

Thiago Machado Silva

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