Agostinho, Calvino e o Conhecimento Natural de Deus

sem-tituloA Teologia Natural se refere à maneira de relacionarmos Deus ao mundo natural. Mas o que a tradição cristã, reformada, tem a dizer sobre o assunto? Existe uma visão reformada da teologia natural? Como Agostinho e Calvino (grandes representantes da tradição cristã ortodoxa) enxergavam o conhecimento natural de Deus, a teologia natural? Nesse texto, quero abordar somente as visões de Agostinho e Calvino com relação ao conhecimento natural de Deus, e tentar tirar alguns princípios sobre a teologia natural.

Primeiramente nós temos Paulo e o texto mais usado pelos que falam de teologia natural é Romanos 1:20:

Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis.

Depois, a Teologia Natural tem sua sistematização cristã no pensamento de Tomás de Aquino que defende que o homem pode conhecer parcialmente Deus através da razão. Então nós temos Agostinho que desenvolveu seu pensamento principalmente a partir de Paulo e Tomás de Aquino. E então temos João Calvino que leu Paulo, Aquino e Agostinho, etc…

1) A razão humana e a iluminação divina nas Confissões de Agostinho

Aqui eu vou usar somente as Confissões de Agostinho, para tentar tirar alguns insights à respeito da teologia natural.

A doutrina do conhecimento de Deus em Agostinho começa com a convicção de que existe uma verdade a ser conhecida e que essa verdade é acessível à razão humana, no entanto, a mente “deveria ser ilustrada por outra luz para participar da verdade” (Conf. 4.15).

Note que ele usa a palavra “participar da verdade” porque para Agostinho, conhecer verdadeiramente a Deus, no sentido cristão e bíblico, é mais do que simplesmente compreender algumas informações à respeito da existência de Deus, mas é desfruta-lo, amar sua verdade e se tornar participante de sua vida.

Assim sendo, para Agostinho, no decorrer das Confissões, é a iluminação divina, essa “outra luz” que torna o verdadeiro conhecimento de Deus possível para nós. Portanto, a minha pergunta é, em que sentido essa iluminação divina nos traz o verdadeiro conhecimento de Deus; esse conhecimento que nos torna participantes de sua verdade?

E a minha tese é que a iluminação divina na mente humana é a base para o verdadeiro conhecimento de Deus nas Confissões de Agostinho. Sem iluminação divina, a razão humana pode somente adquirir uma vaga e incompleta noção da existência de Deus. Embora Agostinho creia que a investigação racional da filosofia pode nos levar à verdade revelada da fé (ele conta sua própria experiência nas Confissões), o conhecimento completo do Deus trino somente é possível através da iluminação divina, consequentemente, da perspectiva de Agostinho, teologia natural é incompleta e nos traz somente uma vaga noção da existência de Deus se for vista à parte ou separada do quadro (moldura) da iluminação divina.

a) Os limites da razão humana nas Confissões de Agostinho

Como já foi falado, a teoria do conhecimento de Deus em Agostinho começa com a convicção de que existe uma verdade, e que essa verdade é acessível à razão humana. Ele claramente aponta que o conhecimento de Deus é o conhecimento mais importante que alguém pode adquirir, porque é o único conhecimento que traz verdadeira felicidade: “infeliz do homem que, conhecendo-as todas (ciência), te ignora; mas feliz de quem te conhece, embora as ignore!” (5.4) E esse conhecimento que traz felicidade, de acordo com Agostinho, também resulta em glória a Deus e gratidão ao Criador.

O intelecto tem um papel fundamental na crença e no conhecimento do ser humano. De fato, para Agostinho, é através da razão que alguém pode conhecer e entender a verdade de Deus. Em outras palavras, a capacidade humana de usar o intelecto vem de Deus. Agostinho usa palavras como “persuasão”, “certeza”, “entendimento”, “julgamento”, a fim de expressar a importância da razão humana:

Buscava saber de onde me vinha minha faculdade de apreciar a beleza dos corpos – quer celestes, quer terrenos – e o que me permitia julgar rápida e cabalmente das coisas mutáveis quando dizia: “isto deve ser assim, aquilo não deve ser assim”. Procurando a origem da minha faculdade de julgar quando assim julgava, achei a eternidade imutável e verdadeira, acima de meu espírito mutável. (7.17)

No entanto, a epistemologia de Agostinho não apenas vê a importância da razão humana, mas também leva em conta o pecado humano. Ele olhava para a beleza da criação, porém, devido ao pecado, Agostinho não podia compreender plenamente a verdade revelada de Deus através da natureza. Seu intelecto estava funcionando sob o poder do pecado, e o conhecimento que sua mente pecadora adquiria era vago e incompleto. Ele diz: “Admirasse que eu me deixasse arrastar pelas vaidades e me afastar de ti, meu Deus… [e] assim, pois, viver nas paixões da luxúria, é o mesmo que viver em paixões tenebrosas, é viver longe de teu rosto.” (1.18).

Por causa de sua natureza pecaminosa, Agostinho conclui que, “da lodosa concupiscência de minha carne e do fervilhar da puberdade (adolescência) levantava-se como que uma névoa que obscurecia e ofuscava meu coração, a ponto de não discernir a serena amizade da tenebrosa libido.” (2.2)

Ele descreve como se sua mente estivesse obscurecida, e tudo o que ele podia enxergar era uma névoa, uma fumaça que embaçava sua visão. Para ele, “assim como se comentem crimes quando o movimento do espírito é vicioso e se atira insolente e turbulento, e se cometem infâmias quando o afeto da alma, fonte dos prazeres carnais, é imoderado, assim os erros e falsas opiniões contaminam a vida se a alma racional está viciada, como estava a minha então” (4.15).

E então ele pergunta, “quem pode me ensinar, a não ser aquele que ilumina meu coração e rasga suas sombras?” (2.8).

Embora ele entenda que, até mesmo a mente pecadora pode ter algum conhecimento sobre Deus através da filosofia e das ciências naturais, ao levar em consideração a realidade do pecado, ele compreende que esse a razão natural do homem não pode compreender plenamente o verdadeiro Deus. O conhecimento de Deus que vem através da filosofia ou da natureza é incompleto por causa de Gênesis 3. Portanto, de acordo com Romanos 1.21, esse conhecimento só pode informar os seres humanos da existência de Deus, os tornando indesculpáveis quando à sua existência, mas de novo, esse é um conhecimento vago e incompleto.

A razão humana é naturalmente corrompida pelo pecado, e muita frágil para discernir a verdade de Deus, e ela precisa ser graciosamente iluminada por uma fonte de luz externa. A parte dessa luz, a nossa mente vê apenas sombras. Agostinho escreve que “nós éramos fracos e incapazes de encontrar a verdade puramente pela razão” (6.5).

Ele não rejeita o valor da razão humana. Sua crença é que a razão deve ser cultivada, desenvolvida, a fim de compreender a verdade de Deus e sua existência, e de fato, ele reconhece que os pensadores pagãos e os plantonistas deduziam a realidade da existência de Deus, no entanto, o conhecimento deles era vago e misturado com sombras e escuridão. O conhecimento adquirido pela razão natural e pelas ciências naturais não nos torna “participantes” da verdade de Deus.

Para que possamos experimentar o sentido bíblico da palavra “conhecimento”, nos tornar participantes da realidade de Deus, precisamos ser iluminados pela luz divina.

b) A teoria da iluminação divina nas Confissões de Agostinho

Em seu desejo que conhecer verdadeiramente a verdade de Deus, e sabendo que pela razão natural e pecadora não conseguiria, Agostinho ora, “Ai de mim, que não sei nem mesmo o que ignoro! Eis-me diante de ti, meu Deus, tu vês que não minto e que falo de coração. Acenderás minha candeia, Senhor meu Deus, e iluminarás minhas trevas.” (11.25).

O conceito de iluminação divina é central na epistemologia de Agostinho. O conhecimento da verdade envolve a iluminação tanto dos olhos que veem, quanto do objeto a ser visto, tanto da mente que compreende, quanto da verdade a ser conhecida. Portanto, para Agostinho, Deus não é somente a verdade a ser conhecida, mas também a luz através da qual nós vemos a verdade. “Tu, Senhor, alumiarás minha lâmpada; tu, meu Deus, iluminarás minhas trevas, e todos participamos de tua plenitude, porque és a luz verdadeira que ilumina a todos homem que vem a este mundo, e porque em ti não há mudança nem a momentânea obscuridade.” (4.15). Ele diz, “Em ti está a fonte da vida, e graças à tua luz é que veremos a luz” (13.16).

Mas como essa iluminação divina funciona? Como Deus nos ilumina a fim de conhecermos a verdade de Deus?

Para Agostinho, não recebemos iluminação divina em pura passividade da mente, como se a iluminação fosse simplesmente uma apresentação plena dos conceitos de Deus. Mas nesse processo de iluminação, a atividade intelectual do ser humano permanece ativa. A iluminação divina não destrói a ação da vontade e do intelecto humano, e não impede a atividade mental.

Iluminação divina não apaga o intelecto humano. Pelo contrário, assume sua existência. De fato, para Agostinho, iluminação tem a função de fazer com que o intelecto seja capaz de pensar corretamente. O poder de arrazoar e compreender é a evidência que seres humanos foram criados à imagem de Deus. Agostinho escreve: “vemos o homem, criado à tua imagem e semelhança, senhor de todos os animais irracionais, precisamente porque foi feito à tua imagem e se assemelha a ti, em virtude da razão e da inteligência.” (13.32).

Para Agostinho, ser humano é ser racional, e a iluminação divina acontece quando a luz de Deus brilha em nosso intelecto nos tornando participantes da verdade de Deus. Essa obra de Deus envolve a iluminação de nossa mente, restaurando a capacidade de pensar e compreender a verdade de Deus. Por isso, da perspectiva de Agostinho, razão e fé, Deus e o intelecto, não estão dissociados, separados; conhecimento e fé não são mutualmente exclusivos porque ambos são resultados da iluminação divina.

Essa visão de Agostinho nos fornece algumas implicações a respeito da teologia natural:

c) Implicações para a teologia natural

A teoria de Agostinho, vista nas Confissões, estabelece que todo conhecimento verdadeiro de Deus, o conceito bíblico de conhecimento, o conhecimento que nos torna participantes da vida de Deus, é resultado da iluminação divina, que nos capacita a contemplar a realidade de Deus e glorificar ao Criador.

Essa luz não pode ser vista aos nossos olhos, mas ela serve para iluminar a mente humana e prover o verdadeiro conhecimento de Deus. Portanto, de acordo com Agostinho, o verdadeiro conhecimento de Deus não é adquirido naturalmente pela razão apenas, porque a razão natural se encontra obscurecida pelo pecado. Sem a luz de Deus, nós vemos apenas sombras da realidade e sombras da verdade.

O verdadeiro conhecimento sempre pressupõe a atividade de Deus em revelar:

“Ó Verdade, luz de meu coração, faze com que se calem as minhas trevas. Deixei-me cair nelas e fiquei às escuras; mas, mesmo do fundo desse abismo, eu te amei ardentemente. Andei errante, mas lembrei de ti.” (12.10). Quando ele estava em trevas, no abismo, ele ouviu a Deus. Nesse processo de conhecer e abraçar a verdade, é Deus que sempre toma a iniciativa.

Portanto, a razão natural tem limites. Os olhos humanos finitos não podem ver a verdade última e plena, e a mente limitada do homem não consegue abraçar a desfrutar da verdade de Deus. Só podemos adquirir um conhecimento vago e limitado (Rm 1.21). A não ser que Deus nos capacite a conhece-lo… pois, de acordo com uma especialista em Agostinho (Schumacher), “não há nada para ver no escuro”. Um outro teólogo (Matthews) diz: “todo conhecimento humano procede dessa fonte”.

Teologia natural, nessa perspectiva, deve ser entendida dentro da moldura da iluminação divina. Se a iluminação divina, de acordo com Agostinho, é a base para o verdadeiro conhecimento de Deus, ela deve ser também a base para uma correta teologia natural.

2) Calvino e o Conhecimento Natural de Deus

Calvino começou suas Institutas com epistemologia (A teoria do conhecimento); ele não começa com como sabemos que existe um deus, e então procede para tentar provar que esse deus é o Deus da Bíblia. Seu ponto de partida era a revelação.

A doutrina de Deus segue a epistemologia (1.13). Calvino mantinha que há uma revelação dupla de Deus ao ser humano: geral (1.3-5) e especial (1.6-12). A primeira é geral em audiência (toda a humanidade) e limitada em conteúdo; a última é mais restrita em audiência (a igreja, aos eleitos) e muito mais detalhada em conteúdo. A última é encontrada nas Escrituras. Além do mais, a revelação geral e especial estão em perfeita harmonia (1.13ss.).

Calvino afirma que nós podemos conhecer a Deus de maneira geral por duas razões: uma subjetiva e outra objetiva, uma dentro de nós, e outra fora de nós – (1) senso de divindade (sensus divinatis) ou “semente da religião” que foi plantada por Deus em cada ser humano. Ele dotou os seres humanos com um senso ou uma percepção inerentes acerca da existência de Deus. (2) A segunda razão é a ordem natural do mundo, a criação. O fato de que Deus é o criador, ao lado de um reconhecimento da justiça e da sabedoria divinas, pode ser obtido a partir da observação da criação, que atinge seu ápice com a humanidade.

Essas duas razões não são apenas para cristãos, mas como o nome diz “revelação geral” é para todos. Calvin está alegando que qualquer pessoa, por intermédio de uma reflexão inteligente e racional acerca da criação, deve ser capaz de alcançar a noção de Deus. A criação é como um “teatro” que exibe a presença, a natureza e os atributos de Deus.

Revelação geral

O Espírito de Deus implantou uma consciência inata de Deus em todos os homens: “Que existe na mente humana, e na verdade por disposição natural, certo senso de divindade, consideramos como além de qualquer dúvida… Deus mesmo infundiu em todos certa noção de sua divina realidade.” (1.3.1)

O homem como portador da imagem de Deus, tem a lei moral impressa em seu coração: “Foi por Deus esculpida na mente dos homens” (4.20.16). Tanto para Calvino quanto para Agostinho o entendimento inato no homem residia no fundamento de tudo do seu entendimento de Deus; aqui o homem tem a revelação proposicional inata.

Esse entendimento inato capacita o homem a ver a rica revelação de Deus na criação. “… para todo e qualquer rumo a que dirijas os olhos, nenhum recanto há do mundo, por mínimo que seja, em que não se vejam a brilhar ao menos algumas centelhas de sua glória… inumeráveis são, tanto no céu quanto na terra, as evidências que lhes atestam a mirífica sabedoria” (1.5.1-2). Todos os homens têm uma consciência de Deus que os deixa escusa (1.3-5).

Calvino elogia, desse modo, as ciências naturais (como a astronomia e a medicina), por sua capacidade de esclarecer com maior profundidade a maravilhosa ordem da criação, bem como a sabedoria divina que essas ciências revelam. De maneira bastante significativa, no entanto, ele não apela, de maneira alguma, às fontes de revelação especificamente cristãs nesse aspecto. De acordo com Calvino, existe uma forma de perceber a presença de Deus em meio à criação, que é comum tanto aos que pertencem à comunidade cristã, quanto aos que estão fora dela. Havendo estabelecido os alicerces para um conhecimento geral de Deus, Calvino ressalta agora suas deficiências.

Devido aos efeitos do pecado sobre a mente, o ser humano caído, embora possua essa semente da verdadeira religião, suprime continuamente o entendimento que ele tem e sabe ser verdadeiro (1.3-5). Alister McGrath diz “Nosso conhecimento natural de Deus é imperfeito e obscuro, chegando ocasionalmente a ponto de entrar em contradição. Esse conhecimento natural serve para privar a humanidade de qualquer desculpa, no sentido de alegar a ignorância da vontade de Deus; entretanto, é completamente inadequado como base para um perfil mais completo sobre a natureza, o caráter e os propósitos de Deus.”

Calvino afirma:

“Mas, embora careçamos de capacidade natural para podermos chegar ao puro e líquido conhecimento de Deus, entretanto, porque o defeito dessa obtusidade está dentro de nós, somos impedidos de toda e qualquer escusa. Pois não temos direito a tergiversação, nem justificativa alguma, porque não podemos pretender tal ignorância sem que nossa própria consciência nos convença de negligência e ingratidão” (1.5.15).

Sem os “espetáculos” da verdade proposicional da Palavra de Deus, o homem pecador não é capaz de chegar a um conhecimento sadio e salvífico de Deus (1.6.1) Ele ainda afirma, “O conhecimento de Deus, claramente demonstrado pela ordem do universo e de toda a criação, é explicado de uma forma ainda mais clara e próxima na Palavra”.

É somente por intermédio das Escrituras que o cristão tem acesso ao conhecimento das ações redentoras de Deus na história, que culminaram na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Para Calvino, a revelação está centralizada na pessoa de Jesus; nosso conhecimento de Deus é mediado por Cristo. Portanto, Deus só pode ser conhecido em profundidade por intermédio de Jesus, que por sua vez, somente pode ser conhecido por intermédio das Escrituras; a natureza, porém, fornece importantes pontos de contato e ecos parciais dessa revelação.

Assim, a ideia básica é a de que o conhecimento de Deus, o criador, pode ser alcançado tanto por intermédio da natureza; quanto por intermédio da revelação especial, em que essa última esclarece, confirma e amplia aquilo que é possível conhecer por intermédio da natureza. O conhecimento de Deus como redentor – que para Calvino representa uma forma de conhecimento distintamente cristã – somente pode ser alcançado por meio de Cristo e por intermédio das Escrituras.

Os limites da teologia natural

Não há teologia natural sem revelação, e não há conhecimento natural de Deus sem a ação de Deus em se revelar. Portanto, até mesmo o que nós chamamos de “conhecimento natural de Deus” deve ser entendido dentro da moldura da revelação, nos foi revelado por Deus objetivamente através da natureza, da criação, e subjetivamente através do “senso de divindade”.

Porém, para Calvino, nós precisamos das Escrituras a fim de entender melhor a revelação de Deus na natureza e a fim de fazer uma teologia natural correta. Para Calvino, teologia natural não é uma preparação para a revelação das Escrituras. O movimento é ao contrário, partimos da revelação especial a fim de compreendermos a revelação geral. As pessoas não são levadas a Deus ao contemplar a criação, mas as Escrituras nos levam a contemplar o Criador na natureza, na criação.

Com base nessa visão, as confissões reformadas foram tomando forma e foram desenvolvendo uma visão Reformada da revelação geral:

A Confissão de Fé Gálica diz que Deus revela-se à humanidade de duas maneiras: “Primeiro, por intermédio de suas obras, tanto na criação quanto em seu controle e preservação. Segundo, e de forma ainda mais evidente, em sua Palavra, que foi revelada a princípio por intermédio de oráculos, sendo depois registrada nos livros aos quais chamamos Sagradas Escrituras”.

A Confissão Belga traz uma ideia semelhante: “Primeiro, pela criação, preservação e domínio do universo, que se apresentam diante de nossos olhos como se fossem o mais belo dos livros, no qual todas as criaturas, grandes e pequenas, são como diversos personagens que nos levam a contemplar os atributos invisíveis de Deus, ou seja, seu poder eterno e sua natureza divina, como declara o apóstolo Paulo (Rm 1.20). Todas essas coisas são suficientes para convencer o ser humano e torna-lo indesculpável. Segundo, ele se manifesta a nós de uma forma mais clara e plena por meio de sua sagrada e divina Palavra; isto é, tanto quanto nos seja necessário saber nessa vida, para sua glória e salvação nossa”.

Os dois temas que surgem com clareza a partir dessa confissões, e que são ensinados pela tradição reformada podem ser resumidos da seguinte forma: 1) Existem duas formas de conhecer a Deus: uma por intermédio da natureza, e a outra por intermédio das Escrituras. Deus se revela infalivelmente tanto na criação e na história quanto na Escritura; e 2) A segunda forma (Escritura) é mais clara e mais completa do que a primeira, pois revela os propósitos redentivos de Deus e Cristo como o redentor e salvador do mundo.

Thiago Machado Silva

 

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